O primeiro post do ano! E o primeiro que eu escrevo no próprio dia, EURI. Mas sabem por que?! Porque o preciosismo e o detalhismo da pequena não a permitem de escrever todo dia, já que a nhonha passa dias e dias escrevendo e lembrando sobre a mesma coisa. Capiche?! Mas vamos celebrar o primeiro, porque hoje o dia foi especial!
Depois do incontáveis problemas com a AIESEC Bursa (acreditem se quiser, mas eu já perdi as contas!), inclusive da perda do serviço de transporte do dia anterior, fui para a minha quarta escola hoje... Em
Ozhangazi, uma cidadezinha de 60 mil habitantes que fica a 45 km de Bursa, na beira do lago Iznik.

BEM, depois de mais de 2h de trajeto all by myself, cheguei à cidade, e um dos alunos, todo simpático, já aguardava por mim no terminal de ônibus. “HI, I’M MUSTAFA, NICE TO MEET YOU”. Ok, o nome dele não era Mustafa, mas como eu NUNCA lembro esses estranhíssimos nomes turcos, vamos apelidar nosso querido amigo de Mustafa, okeys?! Então, no mesmo ponto, aguardamos pelo mini-bus que nos levaria até a escola. Gente, eu não sei o que seria da Turquia sem esses mini-bus, eles são A MAIOR PRAGA, e te levam para qualquer lugar que quiser! O rolê dos mini busão por aqui é o seguinte: você não pede pra ele parar, ele passa pelo ponto meio que já parando. Turco, né, gente, sempre aguardando pela próxima moeda que pode cair em suas mãos. E, então, a galera entra e se aglomera. MENININHA SENTA COM MENININHA E MENININHO COM MENININHO, compreendem?! Aqui é assim, nada de suruba, nem mesmo de sentar juntinho (a não ser que sejam de fato conhecidos) no busão, PEGA MAL! Aí você entra e paga quando quiser, porque o motorista confia na turcaiada. MAS PAGA, ENTENDERAM?! Não consigo imaginar como seria dar o golpe num turco, acho que até Ataturk se revoltaria contra mim!
Voltando ao tópico em questão (ATOURON ser séria)... Logo chegamos a escola (LOGO?! Depois de quase 3h, né, vamos combinar...) e fui levada à sala dos professores. Lá encontrei Deepthi, a indiana que mora na Austrália (GOBALIZAÇÃO, GALERE!) e que faz parte do meu projeto. Um pogaça (pãozinho turco com um grama de queijo branco dentro) me aguardava na mesa. Rapidamente uma senhorinha simpaticazinha turca e seu turbante vieram até mim, falando turco, obviamente, e perguntando se queria beber algo. Nescafe, por favor. Não pedi chá porque, NÉ... Posso tomar todo dia e o dia todo. Nada como um cafezinho para começar o dia... Deepthi me disse que a escola toda estava em prova, então nossa primeira aula seria depois do meio-dia. Vocês nem acreditam como comecei a dar pulos de emoção por dentro, havia acordado às 5h30 À TOA! Quem eu mato primeiro?
Conhecemos todos os professores e ficamos conversando sobre a Turquia... Até que alguém resolver ser legal com a gente e, por volta de 11h, levou-nos até nossa primeira turma. Na verdade eu seria acompanhante, pois Deepthi faria a primeira apresentação. Mas é legal ser a aluna e ver uma apresentação sobre uma cultura diferente, adoraria conhecer a Índia (oimãelevaeu?).
Após o almoço no bandeijão high-school, começaram minhas apresentações, uma atrás da outra (juro que um belo post sobre as aulas está por vir, aguardem pelos próximos capítulos!). E, finalmente, a música turca soa pela escola. Era hora de ir embora! Terminei de me arrumar e, no caminho até o ônibus, umas das professoras de inglês me perguntou se eu gostaria de passar a noite com ela. “I’M SINGLE!”. AHM... Pensei eu comigo: “ok, ficarei sem computador”. Mas todo mundo tem computador hoje em dia, isso não seria problema (mas, NO CAAASO, ela não tinha computador muito menos internet, risos). Sem problemas... Mas logo lembrei da Turkish Lifestyle. Ok, sem roupas limpas. PÂNICO 1. Ok, sem escova de dentes. PÂNICO 2. Ok, sem banho. SEM BANHO. SEM TOMAR BANHOOOOOOOO. OMG, SURTEI DE VEZ. Momento de desespero... Ok, por que não?! Um dia sem tomar banho não mataria ninguém (além de mim). Mas ainda estou na curiosidade de saber por que ela tanto enfatizou o fato de ser solteira...
Um dos outros professores de inglês nos deu uma carona até sua casa. Antes, um passeiozinho pela pequena cidade. Levou-me até o topo da montanha para ter uma ótima vista do lugar, ainda que dentro do carro, e também à beira do lago Iznik, famoso pelo tamanho e pela cidade que o mesmo nome. Tempo depois ele nos deixou em frente a sua casa. Entramos, tiramos o sapato (turcos, tsc tsc) e logo a professora me levou à sala. Saiu e voltou com um prato de mandarin, uma tangerina bem pequena e bem gostosa. “MANDARIN TIME!”. Ok, vamos comer. Começamos a conversar e logo descobri que ela não tem computador, além de passar suas noites lendo, vendo televisão e na casa de amigos. Pouco tempo depois ela me perguntou se eu estava com fome. Era 17h, então ainda dava pra esperar mais um pouco. 20 minutos depois e “LET’S GO”, disse que sairíamos pra jantar. A gente não contradiz, né? Perguntou se eu queria köfte ou peixe. Andamos pela cidade e ela me mostrou as opções. Detalhe pro “restaurante” de peixe: na verdade é uma feira onde você escolhe os peixes fresquinhos que serão assados lá mesmo... A uns 3 metros de distância e dominado pela fumança havia um salão pra gente comer. Ficamos por lá! O negócio aqui é comer o peixe inteiro com as mãos. Uma segura o rabinho e outra a cabeça. Cai de boca! Mas, aqui, a parte do peixe mais desejada pelos turcos é outra: O CÉREBRO! A professora procurou loucamente pelo tal, até que achou. Gente, é minúsculo! E ela comeu com tanto gosto... JESUIS! Comolidar/ Bom, fiz a opção pelo peixinho do Mar Negro famoso por aqui e um salmão D-E-L-I-C-I-O-S-O. E, óbvio, nada como um paninho umedecido pra limpar a inhaca depois...

Depois de uma voltinha, fomos ao supermercado e me levou até a casa de um amigo estranhíssimo. Gente boa, mas estranho porque ele meio que prevê o futuro das pessoas se ele souber a data de nascimento delas. Ok, dispenso, não lido com essas coisas. Ele não fala inglês, então toda a conversa era intermediada pela professora. E DO NADA ELE COMEÇOU A FALAR SOBRE MIM!!!! AUEHAUEHUHAHE EURI!! Bom, segundo ele:
1 – vou casar 2 vezes;
2 – meu segundo casamento será fora do Brasil;
3 – terei 3 filhas (tá feliz agora, dona?!);
4 – terei uma grande surpresa do final de 2012;
5 - terei muito sucesso na vida.
Euri MUITO! Não gosto dessas coisas. Nada contra, mas X. Mas não vamos subestimar o futuro, né?! Enfim, conversa vai, conversa vem, e eles comendo pudim, docinhos, amendoim... E eu já explodindo, praticamente não toquei na comida deles. Outro detalhe da vida na Turquia: aqui eles comem MUITO e acham que a comida deles é a melhor do mundo. Sim, é muito boa, mas nada como uma variada comida brasileira. Outra coisa: eles oferecem muita comida aos seus convidados, e recusá-la pode deixá-los MUITO, mas MUITO frustados. Logo, nunca diga não! Seja simpática como a Monalisa e coma, nem que seja como um passarinho.
Estava pensando em ir para Capadocia nesse final-de-semana, mas foi usando o computador do colega adivinho que descobri que o tempo não estaria muito bom. Então, Grécia?! Veremos...Um detalhe: sua casa era D-O-M-I-N-A-D-A por aquele fumaça acinzentada que só gente boa gosta: CIGARRO! Ai que horrô. Como fumam, gente! É inacreditável como turco literalmente COME cigarro! Agora, pensem comigo: dias sem tomar banho + roupa repetida + cheiro de cinzeiro ambulate = TURCO! UM TERROOOOOOOOOR! Mãe me tira daqui! Ai, a gente supera, né...
Fomos embora e a professora serelepe quis me levar a casa de outra amiga. Chegamos lá, ela e sua mãe e logo começaram a fazer perguntas sobre mim e sobre o Brasil. Pra não falar MIDIALOGIA (ahn?!), dei uma facilitada no negócio: agora eu estudo COMUNICAÇÃO e ARTE, ok?! RÁ! A amica ficou eufórica! Rapidamente me levou até a outra sala e me mostrou suas pinturas. Sim, ela é uma artista! Faz uns trabalhos bem legais em aquarela... Mostrou-me várias pinturas e eu as elogiei, óbvio. Ela, toda feliz, disse que me daria um presente, pois achava que eu era especial (RISOOOOOOOOS, olha eu aqui, mãe!). Vi uma pasta gigantesca de pintura e disse para eu escolher. Fiquei em dúvida entre 2. “PEGUE OS 2”. Aí vi um que parecia legal... “PEGUE ESSE TAMBÉM”. Mas tinha aquela com a escrita de MOHAMMED (Maomé) em árabe. “É TUDO PRO BRASIL? LEVA TUDO!”. Haha aí sim! Pra vocês verem como a turcaida é simpática e hospitaleira...
Enquanto escolhia, a campainha tocou. Eram mais duas amigas. EEEEE CLUBE DA LULUZINHA NA TURQUIAAAAAA \o/ Meral, a professora, disse-me que uma das amigas era uma daquelas pessoas capazes de ler o futuro através da mancha que o pó de café turco faz na xícara depois que você bebe (ENTENDERAM?????).

Bom, então, virei o meu cafézin. Deveria deixar lá por uns 10 minutos e esquecer dele. Ficamos conversando, elas costurando e tricotando, bem dondocas e eu comecei a fotografar. Rapidamente, colocaram o turbante pra ficarem um ahazo pras fotos.

Em 20 minutos, uma delas costurou uma saia toda! Esqueci de dizer que tudo isso foi na sala de televisão, que estava ligada. Era transmitida uma novela turca, e eu, curiosa, fui ver, mesmo sem entender. Episódio de hoje: O SULTÃO DO IMPÉRIO OTOMANO ESCOLHE, NA FRENTE DE SUA MULHER, QUAL DAS DONDOCAS QUE DANÇAVAM PRA ELE PASSARIA UMA NOITE ESPECIAL NA COMPANHIA DE SEU SULTÃO. APÓS A ESCOLHA, DURANTE A PREPARAÇÃO, A LOIRINHA TIRA DO CANGOTE UMA CORRENTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO... ELA É RUSSA, E CATÓLICA ORTODOXA!!!! Confesso que EURI, muito! Mereço? Elas todas fofocando sobre o capítulo, sobre o episódio... Um bapho que só! Um tempinho por lá e alguém prepara um POZA, uma bebida tradicional do inverna feita com leite, baunilha e umas especiarias. Uma delícia, mas não aguentava mais nada. Depois, PIPOCA! Acreditem: pipoca aqui é mega pop, turco adora! Ai gente, comofas com tanta comida?! NÃO POSSO!
Hora de ir pra casa, né? Mas, obviamente, sem antes uma foto em grupo. VAMOS MULHERADA, TODAS BONITONAS PARA A FOTO! Fomos até a sala chique da casa e elas se acomodaram. Arrumei minha câmera e corri pro abraço. CLIC! E começamos a nos arrumar pra ir embora. Mas antes, a vovozinha simpática me presenteou com um cachecol! E fomos embora, já estava tarde...

Chegando em casa, Meral começou a preparar um yogurte caseiro. “Se você colocar a ponta do dedinho no leite quente e aguentar por 20 segundos, tá pronto”. Não entendi a lógica, mas tudo bem. Logo veio ela com um pijaminha pra mim, novinho, tava até com etiqueta, e vesti. Tinha também uma escova de dente novinha pra me dar. UFA! Uma preocupação a menos. Arrumamos as “camas” na sala, onde eu dormiria e ela também (turco é um bicho estranho: tem uma cama de casal quentinha, mas prefere dormir na sala... Timuçin mais dorme lá do que no próprio quarto). Ela disse que não teria a primeira aula, então iríamos um pouquinho mais tarde. Seria uma das primeiras noites antes do trabalho que eu dormiria mais de 4h! AÍ SIM!
No dia seguinte, Meral me acordou as 7h30. AI QUE DELICIA, DORMI MAIS QUE 6H! Não é fácil não, manolo, tenho que acordar todo dia lá pelas 5h30 pra pegar o bus service! Comecei a me arrumar e ela, com o cabelo molhado, perguntou SE EU QUERIA TOMAR BANHO. Quase cai pra trás! MELDELS, essa mulher não é turca... A princípio recusei (porquinha, risos), mas voltei atrás e corri pro banho. Já pronta, voltei pra sala e lá a mesa do café-da-manhã estava pronta. Turkish Breakfast! Tomate, Azeitona preta, pasta de azeitona verde, PIMENTA, chá, queijo, pãozinho... Delícia! De barriga cheia, fomos pra escola de mini-bus.
Não vou me prolongar muito pra falar sobre as aulas, até porque essa escola não é o melhor exemplo. Como tem 3 brasileiros no meu projeto, “Hug The World”, (JOINHA AIESEC, MUITO BOM, VIU!), eu era a terceira naquela escola. Logo, a criançada já tinha visto muito do que falaria. Foram poucas as salas que se mostravam surpresas com o que eu falava, o que normalmente é a melhor parte. Mas ok, pelo menos a galera era bem agradável.
No horário do almoço, Deepthi e eu fomos convidadas para ir a um restaurante com 2 professores. Nem precisamos escolher: chegando lá, o pide e o docinho de queijo já estavam prontos. Delicinha!

Voltamos à escola para a última tarde de aulas. E foram poucas. Aqui, o ritmo varia. Tem escola que é aula atrás de aula, sem tempo pra respirar. E, quando sobra um tempinho, lá vem a molecada querendo tirar foto, pedindo facebook... Uma loucura! Sinto-me uma popstar! Mas nessa escola a coisa foi bem tranquila. Todos muitos agradáveis e queriam algo mais além das fotos. Nada como uma bela conversa... Nossa última aula foi livre pois os alunos teriam prova, então ficamos na sala dos professores. E Deepthi me presentou com uma tatugem da Índia!

E toca a música turca, que significa o fim da aula. Vamos para casa, né?! Mais uma vez enfretamos o bus escolar, que demora cerca de 1h até chegar em Bursa, e fui dar minha voltinha diária. Depois, casa. Descansar pro dia seguinte, né?!.. Porque, se a gente quer moleza, a gente senta no pudim! Güle güle!