domingo, 30 de janeiro de 2011

Desabafo?! Talvez...

Oi gente! Tá, eu sei que demorei...
Mas tenho um motivo: não estou mais na Turquia :( Infelizmente! Mas nem por isso vou parar de postar sobre aquele lugar mágico... Ainda tem coisa por vir! No momento, estou na Europa (pois lá na Turquia todos se consideram ASIÁTICOS), em companhia de mamãe. Pra ser mais específica, em Paris nesse momento, depois de uns dias em Amsterdam. E amanhã, estrada para Praga!

Esse clima de viagem é meio pesado, pra falar a verdade. Viajar é bom demais, mas dá dor de cabeça algumas vezes... E esse frio só piora as coisas! Fato que, se minha mãe não estivesse aqui agora, eu já teria colocado o mochilão nas costas e voltado pro Brasil, como a sábia dona Sonia bem me disse (e ela nunca erra!). Pois é, acreditem se quiser... Eu acredito e nessas horas possivelmente eu estaria no colo do meu pai/mãe/amigos em São Carlos chorando todas as pitangas (boas e ruins, claro) que essa viagem me proporcionou e aguardando pela semana dos bixos na UNICAMP!

É por isso que digo que viajar é uma experiência única. Não é apenas turistar, mas também se sentir como o único ser no mundo. É você por você, seu próprio guia. Eu amaria estar rodeado por mil amigos agora, mas foi uma opção minha embarcar num passeio desses em que, afinal, estarei sozinha por um bom tempo. Aprendizado? Amadurecimento? Possivelmente, mas, mesmo assim, aquela zona de conforto que a gente sempre deseja faz falta...

Depois de lero lero, no final das contas, ainda tenho quase 1 mês pela frente. Saudade, tristeza, solidão... Tudo isso amplificado devido ao frio mortaaaal que faz por essas bandas. Dias ensolarados?! Alguns, mas o sol é traiçoeiro... Lá fora, hoje, estava sol e 0 graus! Fazer o que... Lembro de alguns momentos em NY (que, aliás, está mais frio que aqui!), especificamente na loja da Apple, em que minha mãe dizia que eu estava chorando por causa do frio. Sim, fato, mas só porque o frio é a perfeita combinação com qualquer sentimento por aqui. As vezes uma combinação boa, mas, em sua maioria, ruim. Fazer o que... Como eu digo, se quer moleza, senta no pudim!

E eu bem queria um pudim de leite-condensado e bem grande agora...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Turcaida da boa - Aconteceu comigo

Bom, esse post tem um gostinho especial pra mim, mas fikdik que não contarei o motivo haha. Enfim... Estou dentro de um ônibus a caminho de Istanbul (SIM, TEM INTERNET NO ÔNIBUS! Além de TV individual e lanchinho) e cá escrevo esse pequeno depoimento sobre uma das coisas mais interessantes que se tem por aqui: O POVO!!

SIM! ELES SÃO TÃO LEGAIS! Vejam bem, aconteceu comigo agorinha aqui no ônibus. Ao comprar minha passagem, pedi para que me sentasse ao lado da janela. E comprei a janela. Despachei minhas poucas bagagens (AHAM, CLÁUDIA) e já fui em busca do meu lugar. MAAAAS havia uma senhorazinha de turbante sentada no meu lugar.


Tentei explicar pra ela, EM MÍMICA, que aquela cadeira era minha (gente, SÉRIO, aqui a galera BRIGA pra sentar na cadeira certa) mas ela apenas me respondeu em turco e com um sorriso simpático. Ok, sentar no corredor não faria mal a ninguém. Ao sentar, a senhoriza tentou puxar papo, e eu, com as poucas porém eficientes palavras turcas que pude aprender, expliquei que não falava turco. Ela entendeu, mas mesmo assim continuava com seu turco... Então, disse que sou brasileira. E seus olhinhos brilharam de felicidade! Ficava olhando pra mim, dizendo o quanto era bonitinha (junte todos os dedinhos da mão e diga ÇOK GÜZEL, é assim que se faz) e até pediu pra dar um beijinho no meu rosto auehauehua. Como estava com meu note, abri o danado e fui achar alguma coisa pra fazer. Até que tive a ótima idéia de mostrar a senhorazinha umas fotos do Brasil. Salvador, Rio de Janeiro... ÇOK GÜZEL! Um belo elogio, isso sim... Nisso, chegou o atendente do ônibus (aqui é tudo top, meu filho) pra anotar os destinos de cada passageiro. Ele olhou meu bilhete e a senhora então lhe disse que eu sou brasileira e que estava mostrando fotos.

PRA QUE?! Então, ele sentou-se ao meu lado e eu fiz a apresentação que eu normalmente faço na sala de aula...DENTRO DE UM ÔNIBUS! Sem inglês, óbivo, apenas mostrando fotos. ÇOOOOOOK GÜZEL! Minhas palavras favoritas por aqui =P Ele foi embora pois precisava trabaiá... Trouxe uma aguinha para os passageiros e, ao entregar para a senhora, ela respondeu com um vibrante THANK YOU, e seguiu com um riso. Bom, aí, numa dessas, o passageiro da frente também virou pra trás pra fazer parte da farra. Conversou com a senhora e logo começou a conversar em inglês comigo. Disse que morava em Londres, perguntou de mim e tals... Super gente boa! Deu-me seu cartão da sua empresa em Londres, e disse que, se eu tivesse qualquer problema por aqueles lados, para eu entrar em contato com ele que me ajudaria no possível para ficar bem por lá! Ok, eu sei que, lendo assim, parece um xaveco. Mas é só vivendo na Turquia para se acostumar com tamanha hospitalidade...

Soundtrack

Depois de "Empire State Of Mind", passou da hora de eu definir uma musiquinha para essa nova fase, né?! Em New York não tive esforço algum para escolher, a música dizia por si só! Ela virou um hino para todos os yankees, e principalmente para mim que viveu quase 4 meses intensoooooooos naquele lugar!! New York, concrete jungle where dreams are made of... AÍ SIM! De New York pro mundo!



Pois bem... confesso que não foi NADA difícil decidir. Pelo simples fato de que essa música me perseguiu durante a viagem toda. Bom, escolha feita...



OK, o vídeo pode até ser cafona... Mas tem alguns pontos importantes a lembrar:

1 - é o Robbie Williams, um dos meus cantores favoritos.

Puff... GRANDE COISA! Fato é que eu me arrepio T-O-D-A quando vejo o final do clipe. O London Eye, o palácio de Westminster...UM TERRÔ! E, logo menos, verei tudo isso aí com meus próprio olhos!!

MAS... O que seria da vida sem música, né?! Por isso elegi outras duas musiquinhas que também me acompanharam por aqui...



Adoro a vibe boa dessa música! E o clipe, então... AMO!



OLHA... Essa vibe de gravar video-clipes em cidades monumentais é de lascar. Só me deixa com vontade de visitar novos lugares! E eu vou, acabei adicionando dois novos destinos a minha programação...RISOS. London e Budapest, I'm coming!

É, gente, eu tô só começando! A baixinha aqui não pára não!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Nostalgia

Um post inesperado. Por que?! Pois bem... Estou aqui, em minha casa em Bursa, com meus amigos brasileiros. Acabamos de chegar daquela que foi nossa última viagem na Turquia, CAPADÓCIA.


Um lugar mágico, com certeza, mas não estou aqui para falar da viagem.

Acabou de passar na tevê o video de Empire State of Mind (Part II) Broken Down, da Alicia Keys. Para quem não sabe, Empire State Of Mind, de Jay-Z, foi a "trilha sonora" da minha viagem para os EUA. O motivo é meio óbvio, risos. E a versão da Alicia Keys, bem mais suave e um tanto quanto melancólica, foi a última música que eu ouvi, NO RÁDIO, antes de entrar no avião de volta para o Brasil. E bateu uma nostalgia TREMENDA...

É nessas horas, lembrando dessas viagens, dos passeios, das pessoas, que tenho certeza que sou muita sortuda por ter essa oportunidade de viajar. Não apenas de viajar, mas de CONHECER. Viajar todo mundo viaja, mas não existe dinheiro no mundo que paga o sentimento bom de estar dentro daquela cultura, de se simpatizar com ela. Juro que uma das melhores coisas daqui é tentar negociar com aquele senhorzinho da esquina, com muito esforço trocar algumas palavras em turco e depois receber um belo sorriso quando digo que sou brasileira.

Quando as pessoas me dizem "MAS PORQUE TURQUIA?! É TÃO LONGE, TÃO...DIFERENTE!", penso no quão importante é estar fora da nossa zona de conforto. Cada uma dessas experiências é mais que fundamental para o meu amadurecimento, sejam elas boas ou ruins. A vida é assim né?! Pois, como eu digo... QUEM QUER MOLEZA, SENTA NO PUDIM! Eu vim passar perrengue na Turquia (e como!!), aprender com a Turquia, me apaixonar pela Turquia... E eu estou aqui! Pros meus últimos dias nessa terrinha mágica, que muito me encantou e que vai deixar um buraquinho gigantesco no meu coração quando eu partir...

05/01/2011 - Orhangazi, TR

O primeiro post do ano! E o primeiro que eu escrevo no próprio dia, EURI. Mas sabem por que?! Porque o preciosismo e o detalhismo da pequena não a permitem de escrever todo dia, já que a nhonha passa dias e dias escrevendo e lembrando sobre a mesma coisa. Capiche?! Mas vamos celebrar o primeiro, porque hoje o dia foi especial!

Depois do incontáveis problemas com a AIESEC Bursa (acreditem se quiser, mas eu já perdi as contas!), inclusive da perda do serviço de transporte do dia anterior, fui para a minha quarta escola hoje... Em Ozhangazi, uma cidadezinha de 60 mil habitantes que fica a 45 km de Bursa, na beira do lago Iznik.


BEM, depois de mais de 2h de trajeto all by myself, cheguei à cidade, e um dos alunos, todo simpático, já aguardava por mim no terminal de ônibus. “HI, I’M MUSTAFA, NICE TO MEET YOU”. Ok, o nome dele não era Mustafa, mas como eu NUNCA lembro esses estranhíssimos nomes turcos, vamos apelidar nosso querido amigo de Mustafa, okeys?! Então, no mesmo ponto, aguardamos pelo mini-bus que nos levaria até a escola. Gente, eu não sei o que seria da Turquia sem esses mini-bus, eles são A MAIOR PRAGA, e te levam para qualquer lugar que quiser! O rolê dos mini busão por aqui é o seguinte: você não pede pra ele parar, ele passa pelo ponto meio que já parando. Turco, né, gente, sempre aguardando pela próxima moeda que pode cair em suas mãos. E, então, a galera entra e se aglomera. MENININHA SENTA COM MENININHA E MENININHO COM MENININHO, compreendem?! Aqui é assim, nada de suruba, nem mesmo de sentar juntinho (a não ser que sejam de fato conhecidos) no busão, PEGA MAL! Aí você entra e paga quando quiser, porque o motorista confia na turcaiada. MAS PAGA, ENTENDERAM?! Não consigo imaginar como seria dar o golpe num turco, acho que até Ataturk se revoltaria contra mim!

Voltando ao tópico em questão (ATOURON ser séria)... Logo chegamos a escola (LOGO?! Depois de quase 3h, né, vamos combinar...) e fui levada à sala dos professores. Lá encontrei Deepthi, a indiana que mora na Austrália (GOBALIZAÇÃO, GALERE!) e que faz parte do meu projeto. Um pogaça (pãozinho turco com um grama de queijo branco dentro) me aguardava na mesa. Rapidamente uma senhorinha simpaticazinha turca e seu turbante vieram até mim, falando turco, obviamente, e perguntando se queria beber algo. Nescafe, por favor. Não pedi chá porque, NÉ... Posso tomar todo dia e o dia todo. Nada como um cafezinho para começar o dia... Deepthi me disse que a escola toda estava em prova, então nossa primeira aula seria depois do meio-dia. Vocês nem acreditam como comecei a dar pulos de emoção por dentro, havia acordado às 5h30 À TOA! Quem eu mato primeiro?

Conhecemos todos os professores e ficamos conversando sobre a Turquia... Até que alguém resolver ser legal com a gente e, por volta de 11h, levou-nos até nossa primeira turma. Na verdade eu seria acompanhante, pois Deepthi faria a primeira apresentação. Mas é legal ser a aluna e ver uma apresentação sobre uma cultura diferente, adoraria conhecer a Índia (oimãelevaeu?).

Após o almoço no bandeijão high-school, começaram minhas apresentações, uma atrás da outra (juro que um belo post sobre as aulas está por vir, aguardem pelos próximos capítulos!). E, finalmente, a música turca soa pela escola. Era hora de ir embora! Terminei de me arrumar e, no caminho até o ônibus, umas das professoras de inglês me perguntou se eu gostaria de passar a noite com ela. “I’M SINGLE!”. AHM... Pensei eu comigo: “ok, ficarei sem computador”. Mas todo mundo tem computador hoje em dia, isso não seria problema (mas, NO CAAASO, ela não tinha computador muito menos internet, risos). Sem problemas... Mas logo lembrei da Turkish Lifestyle. Ok, sem roupas limpas. PÂNICO 1. Ok, sem escova de dentes. PÂNICO 2. Ok, sem banho. SEM BANHO. SEM TOMAR BANHOOOOOOOO. OMG, SURTEI DE VEZ. Momento de desespero... Ok, por que não?! Um dia sem tomar banho não mataria ninguém (além de mim). Mas ainda estou na curiosidade de saber por que ela tanto enfatizou o fato de ser solteira...

Um dos outros professores de inglês nos deu uma carona até sua casa. Antes, um passeiozinho pela pequena cidade. Levou-me até o topo da montanha para ter uma ótima vista do lugar, ainda que dentro do carro, e também à beira do lago Iznik, famoso pelo tamanho e pela cidade que o mesmo nome. Tempo depois ele nos deixou em frente a sua casa. Entramos, tiramos o sapato (turcos, tsc tsc) e logo a professora me levou à sala. Saiu e voltou com um prato de mandarin, uma tangerina bem pequena e bem gostosa. “MANDARIN TIME!”. Ok, vamos comer. Começamos a conversar e logo descobri que ela não tem computador, além de passar suas noites lendo, vendo televisão e na casa de amigos. Pouco tempo depois ela me perguntou se eu estava com fome. Era 17h, então ainda dava pra esperar mais um pouco. 20 minutos depois e “LET’S GO”, disse que sairíamos pra jantar. A gente não contradiz, né? Perguntou se eu queria köfte ou peixe. Andamos pela cidade e ela me mostrou as opções. Detalhe pro “restaurante” de peixe: na verdade é uma feira onde você escolhe os peixes fresquinhos que serão assados lá mesmo... A uns 3 metros de distância e dominado pela fumança havia um salão pra gente comer. Ficamos por lá! O negócio aqui é comer o peixe inteiro com as mãos. Uma segura o rabinho e outra a cabeça. Cai de boca! Mas, aqui, a parte do peixe mais desejada pelos turcos é outra: O CÉREBRO! A professora procurou loucamente pelo tal, até que achou. Gente, é minúsculo! E ela comeu com tanto gosto... JESUIS! Comolidar/ Bom, fiz a opção pelo peixinho do Mar Negro famoso por aqui e um salmão D-E-L-I-C-I-O-S-O. E, óbvio, nada como um paninho umedecido pra limpar a inhaca depois...


Depois de uma voltinha, fomos ao supermercado e me levou até a casa de um amigo estranhíssimo. Gente boa, mas estranho porque ele meio que prevê o futuro das pessoas se ele souber a data de nascimento delas. Ok, dispenso, não lido com essas coisas. Ele não fala inglês, então toda a conversa era intermediada pela professora. E DO NADA ELE COMEÇOU A FALAR SOBRE MIM!!!! AUEHAUEHUHAHE EURI!! Bom, segundo ele:

1 – vou casar 2 vezes;
2 – meu segundo casamento será fora do Brasil;
3 – terei 3 filhas (tá feliz agora, dona?!);
4 – terei uma grande surpresa do final de 2012;
5 - terei muito sucesso na vida.

Euri MUITO! Não gosto dessas coisas. Nada contra, mas X. Mas não vamos subestimar o futuro, né?! Enfim, conversa vai, conversa vem, e eles comendo pudim, docinhos, amendoim... E eu já explodindo, praticamente não toquei na comida deles. Outro detalhe da vida na Turquia: aqui eles comem MUITO e acham que a comida deles é a melhor do mundo. Sim, é muito boa, mas nada como uma variada comida brasileira. Outra coisa: eles oferecem muita comida aos seus convidados, e recusá-la pode deixá-los MUITO, mas MUITO frustados. Logo, nunca diga não! Seja simpática como a Monalisa e coma, nem que seja como um passarinho.

Estava pensando em ir para Capadocia nesse final-de-semana, mas foi usando o computador do colega adivinho que descobri que o tempo não estaria muito bom. Então, Grécia?! Veremos...Um detalhe: sua casa era D-O-M-I-N-A-D-A por aquele fumaça acinzentada que só gente boa gosta: CIGARRO! Ai que horrô. Como fumam, gente! É inacreditável como turco literalmente COME cigarro! Agora, pensem comigo: dias sem tomar banho + roupa repetida + cheiro de cinzeiro ambulate = TURCO! UM TERROOOOOOOOOR! Mãe me tira daqui! Ai, a gente supera, né...

Fomos embora e a professora serelepe quis me levar a casa de outra amiga. Chegamos lá, ela e sua mãe e logo começaram a fazer perguntas sobre mim e sobre o Brasil. Pra não falar MIDIALOGIA (ahn?!), dei uma facilitada no negócio: agora eu estudo COMUNICAÇÃO e ARTE, ok?! RÁ! A amica ficou eufórica! Rapidamente me levou até a outra sala e me mostrou suas pinturas. Sim, ela é uma artista! Faz uns trabalhos bem legais em aquarela... Mostrou-me várias pinturas e eu as elogiei, óbvio. Ela, toda feliz, disse que me daria um presente, pois achava que eu era especial (RISOOOOOOOOS, olha eu aqui, mãe!). Vi uma pasta gigantesca de pintura e disse para eu escolher. Fiquei em dúvida entre 2. “PEGUE OS 2”. Aí vi um que parecia legal... “PEGUE ESSE TAMBÉM”. Mas tinha aquela com a escrita de MOHAMMED (Maomé) em árabe. “É TUDO PRO BRASIL? LEVA TUDO!”. Haha aí sim! Pra vocês verem como a turcaida é simpática e hospitaleira...

Enquanto escolhia, a campainha tocou. Eram mais duas amigas. EEEEE CLUBE DA LULUZINHA NA TURQUIAAAAAA \o/ Meral, a professora, disse-me que uma das amigas era uma daquelas pessoas capazes de ler o futuro através da mancha que o pó de café turco faz na xícara depois que você bebe (ENTENDERAM?????).


Bom, então, virei o meu cafézin. Deveria deixar lá por uns 10 minutos e esquecer dele. Ficamos conversando, elas costurando e tricotando, bem dondocas e eu comecei a fotografar. Rapidamente, colocaram o turbante pra ficarem um ahazo pras fotos.


Em 20 minutos, uma delas costurou uma saia toda! Esqueci de dizer que tudo isso foi na sala de televisão, que estava ligada. Era transmitida uma novela turca, e eu, curiosa, fui ver, mesmo sem entender. Episódio de hoje: O SULTÃO DO IMPÉRIO OTOMANO ESCOLHE, NA FRENTE DE SUA MULHER, QUAL DAS DONDOCAS QUE DANÇAVAM PRA ELE PASSARIA UMA NOITE ESPECIAL NA COMPANHIA DE SEU SULTÃO. APÓS A ESCOLHA, DURANTE A PREPARAÇÃO, A LOIRINHA TIRA DO CANGOTE UMA CORRENTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO... ELA É RUSSA, E CATÓLICA ORTODOXA!!!! Confesso que EURI, muito! Mereço? Elas todas fofocando sobre o capítulo, sobre o episódio... Um bapho que só! Um tempinho por lá e alguém prepara um POZA, uma bebida tradicional do inverna feita com leite, baunilha e umas especiarias. Uma delícia, mas não aguentava mais nada. Depois, PIPOCA! Acreditem: pipoca aqui é mega pop, turco adora! Ai gente, comofas com tanta comida?! NÃO POSSO!

Hora de ir pra casa, né? Mas, obviamente, sem antes uma foto em grupo. VAMOS MULHERADA, TODAS BONITONAS PARA A FOTO! Fomos até a sala chique da casa e elas se acomodaram. Arrumei minha câmera e corri pro abraço. CLIC! E começamos a nos arrumar pra ir embora. Mas antes, a vovozinha simpática me presenteou com um cachecol! E fomos embora, já estava tarde...


Chegando em casa, Meral começou a preparar um yogurte caseiro. “Se você colocar a ponta do dedinho no leite quente e aguentar por 20 segundos, tá pronto”. Não entendi a lógica, mas tudo bem. Logo veio ela com um pijaminha pra mim, novinho, tava até com etiqueta, e vesti. Tinha também uma escova de dente novinha pra me dar. UFA! Uma preocupação a menos. Arrumamos as “camas” na sala, onde eu dormiria e ela também (turco é um bicho estranho: tem uma cama de casal quentinha, mas prefere dormir na sala... Timuçin mais dorme lá do que no próprio quarto). Ela disse que não teria a primeira aula, então iríamos um pouquinho mais tarde. Seria uma das primeiras noites antes do trabalho que eu dormiria mais de 4h! AÍ SIM!

No dia seguinte, Meral me acordou as 7h30. AI QUE DELICIA, DORMI MAIS QUE 6H! Não é fácil não, manolo, tenho que acordar todo dia lá pelas 5h30 pra pegar o bus service! Comecei a me arrumar e ela, com o cabelo molhado, perguntou SE EU QUERIA TOMAR BANHO. Quase cai pra trás! MELDELS, essa mulher não é turca... A princípio recusei (porquinha, risos), mas voltei atrás e corri pro banho. Já pronta, voltei pra sala e lá a mesa do café-da-manhã estava pronta. Turkish Breakfast! Tomate, Azeitona preta, pasta de azeitona verde, PIMENTA, chá, queijo, pãozinho... Delícia! De barriga cheia, fomos pra escola de mini-bus.

Não vou me prolongar muito pra falar sobre as aulas, até porque essa escola não é o melhor exemplo. Como tem 3 brasileiros no meu projeto, “Hug The World”, (JOINHA AIESEC, MUITO BOM, VIU!), eu era a terceira naquela escola. Logo, a criançada já tinha visto muito do que falaria. Foram poucas as salas que se mostravam surpresas com o que eu falava, o que normalmente é a melhor parte. Mas ok, pelo menos a galera era bem agradável.

No horário do almoço, Deepthi e eu fomos convidadas para ir a um restaurante com 2 professores. Nem precisamos escolher: chegando lá, o pide e o docinho de queijo já estavam prontos. Delicinha!


Voltamos à escola para a última tarde de aulas. E foram poucas. Aqui, o ritmo varia. Tem escola que é aula atrás de aula, sem tempo pra respirar. E, quando sobra um tempinho, lá vem a molecada querendo tirar foto, pedindo facebook... Uma loucura! Sinto-me uma popstar! Mas nessa escola a coisa foi bem tranquila. Todos muitos agradáveis e queriam algo mais além das fotos. Nada como uma bela conversa... Nossa última aula foi livre pois os alunos teriam prova, então ficamos na sala dos professores. E Deepthi me presentou com uma tatugem da Índia!



E toca a música turca, que significa o fim da aula. Vamos para casa, né?! Mais uma vez enfretamos o bus escolar, que demora cerca de 1h até chegar em Bursa, e fui dar minha voltinha diária. Depois, casa. Descansar pro dia seguinte, né?!.. Porque, se a gente quer moleza, a gente senta no pudim! Güle güle!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

13 a 17/12/2010 - Bursa, TR

GOOOOOD MORNING AMERICA! Ou melhor, ASIA!

Porque aqui o sol levanta 4h antes, droga! Depois de um agradável passeio pelas memórias do Império Otomano, segui o conselho do meu papai turco e me preparei para Iznik. Iznik? É, IZNIK, GENTE! Aqui na Turquia é assim: Bursa é o ponto principal de uma regiãozinha perto do Mármara. Aqui moram 2 milhões de pessoas! Já disse que foi a primeira capital do Império Otomano, né? Ótimo! GOOGLE IT e, aí, você vai saber tudo! Bom, continuando... Em volta de Bursa existem diversas PROVÍNCIAS, de população que vai de 10 mil pessoas a 200 mil pessoas! OMG, REALLY?! Sim! São Carlos poderia ser uma província turca! Seria um ahazo uaheauehuehueua. Uma dessas províncias é Iznik, que também teve sua origem no Império Otomano. Então, vamos, né...

Timuçin me passou um roteiro básico e disse que seu amigo estava indo pra lá no dia seguinte. Oba! Carona garantida! 9h da manhã estava prontíssima, junto de minha filha (a câmera, ok?!) e seu parceiro inseparável, o tripé! Encontrei com Hasan em frente de casa e logo começamos a conversa. Ele é médico e tem um filhinho tããão bonitinho *-* Disse que estava indo para Gemlik, uma outra província entre Bursa e Iznik, mas que seria um prazer me levar até Iznik! Ai, gente, imaginem só... Eu me derreto com essas coisas haha O povo turco é muito hospitaleiro, sempre tentando fazer o melhor pelos outros, mesmo se não souberem falar inglês. Nada que uma mímica A LA Imagem & Ação não resolva. Mas Hasan falava inglês super bem, estão tivemos papo para todo o trajeto, que é de mais de 1h...

Chegamos na cidadezinha e ele me mostrou os pontos principais, o que não levou muito tempo. Desci do carro em frente do Lago Iznik, onde aproveitei pra andar por toda a orla e tirar fotos MARA. O visual da Turquia é coisa de louco! O Lago Iznik é o segundo maior da Turquia e é lindo! Fica entre uma cadeia de montanhas, entre elas a Uludağ, que, além de dar nome à universidade de Bursa, tem a maior estação de esqui do país. OBVIAMENTE irei para lá. Aguardem pelas novas aventuras =P


Aqui é possível ver cidades gigantescas e complexas no pé de montanhas, como é o caso de Bursa. Como é inverno, as montanhas ficam cheias de neve, o que só embeleza o visú! Coisa linda mesmo! Sem falar nos descampados verdinhos e na vegetação excêntrica que há por aqui... Apesar de fazer inverno, é mediterrâneo! Então chove muito, o que contribui para uma natureza verdinha, verdinha... LINDIMAISSSS!!

Foi um caminho solitário, praticamente ninguém na beira da "praia". Só eu e os gatinhos. MEU DEUS, COMO TEM GATO POR AQUI, TÁ LOCO! Enfim... Fui pro centrinho de Iznik e logo procurei a Central de Informaçãoes. Mas uai, por que teria uma Central de Informaçôes numa pseudo-cidade-mais-parecida-com-vila? Acreditem se quiser, mas Iznik é conhecida mundialmente pelas suas tradicionais louças e azulejos pintados em azul! É tudo muito bonitinho por lá! Todos os cantinhos têm essses azulejos: a casa,  a mesquita, a lojinha de doce do tio da esquina, tudo! Não é algo que podemos dizer de cidade turística, pois não acredito que qualquer agência traga turistas pra cá. Mas o passeio vale a pena pela sutileza do lugar!

Cidade pequena, então não foi difícil achar a tal da central. Entrei e lá estava um rapaz, olhando umas folhas e com um livro didático de inglês nas mãos. Soltei algumas mínimas porém internacionais palavras em inglês, pedindo um mapa, e ele me respondeu: “yes”. Tinha um mapa”. “Thank you”. “1 Lira”. Ok, só 1 lira, sem problemas. O rapaz tentou dizer algumas palavras e entendi que ele queria saber se eu gostaria de ir a mesquita de Santa Sofia, a principal de Iznik. Disse que sim e lá foi ele comigo, carregando um pequena maleta e a chave em mãos. Abriu a mesquita e por lá fiquei livre, apesar de não ser muito grande. Tirei algumas fotos e logo ele perguntou se eu queria que ele tirasse umas de mim. Disse que sim, óbvio! Sou abusada, okeys?! Pra fazer pose de musa, tem que arrumar o cabelo, né?! CLICK! Primeira foto. Ele então me indicava alguns lugares pra tirar fotos, e lá ia eu. Em uma das fotos, ele passou a mão pela lateral da testa, tentando me imitar quando arrumo o cabelo, todo modelétji. RACHEI LITROS! Juro, ri muito por dentro, foi genial! Ele sempre me mostrava alguns pontos da mesquita e dizia “original”, quando se tratava de imagens que lá permaneciam desde a época que Jesus andava de triciclo. Original daqui, original de lá... CHEGA TIO! Fui embora... Peguei minha câmera, agradeci e estava saindo, quando surge uma voz profana do meio da mesquita: “7 LIRA”. AI SENHOR. Meu rico dinheiro ._. Ok, paguei. Perguntei pelo museu da cidade. Ele me respondeu: “7 LIRA”. EURI muito desse turquinho maluco!

Segui meu caminho meio que sem rumo, entrando nas mesquitas e prestando atenção nas pequenas construções. Lembrei que lá havia um teatro da época do Império Romano. Vamos ver, né? E fui...


Ok, ele é bem pequeno (pô, a vila é um ovo!), mas foi o primeiro teatro romano que vi por aqui! O primeiro de muitos, provavelmente. Assim, quando você vê um teatro desses, seja ele grande ou pequeno (já vi outros, fikdik), pela parte mais baixa, a sensação é ok. Mas quando você sobe os teatros e vê a coisa de cima, AÍ SIM! É uma loucura, sério! A visão é perfeita, e eles eram construídos dessa forma semi circular por conta da acústica. Hoje esse teatro de Iznik é apenas ruínas, é pequeno, mas já foi muito importante praquele povo. Adorei!

Depois do teatro, olhei pro meu mapa e percebi que lá perto estava uma parte do “gate” do rondava Iznik. Gate, aqui, significa muralha. Foram construídas durante o Império BIZANTINO para proteger a região de ataques (cada “porta” da muralha era protegida por diversos militares). Hoje, são apenas ruínas, principalmente a primeira que eu vi. O ruim disso tudo é que, mesmo sabendo que mora num local histórico e que tenta conservar o resquício de história que lá existe, alguns teimam em pichar muros e principalmente as muralhas. O que a princípio deveria ser uma linda vista dos tempos antigos, acaba se transformando em vergonha devido a ignorância dos outros. Uma pena...

Voltei para a cidade e segui andando, não muito, considerando o pequeno porte de Iznik. Praticamente atravessei a cidade e visitei algumas mesquitas e também um museu. Ah, conheci umas lojas de cerâmicas, as famosas de Iznik! Segura o bolso, minha filha! Tô bem mão-de-vaca ultimamente, mas por um grande motivo: mamãe está chegando, então prefiro fazer comprinhas junto dela (ela que paga, risos)!
Como estava ficando tarde e eu havia combinado de me encontrar com Hasan em Gemlik por volta de 16h, precisaria pensar nos meus últimos minutos no local. Olhei o inseparável mapa e, SUPRESA! A entrada na cidade estava bem próxima de mim, então poderia gastar uns minutinhos para ir até a parte principal da muralha. Andei alguns metros e logo me deparei com uma muralha beeeeem maior. AÍ SIM! Nela havia um corredor ligando duas “portas”, além de uma escada que levava até o topo, e, mesmo assim, era difícil de alcançar.


Legal, né?! Fato que esses passeios estão me rendendo várias fotinhas, minha filhota (vulgo câmera) está amando! Depois da muralha, precisava picar a mula. Mas, antes, almoçar, obviamente! Hasan havia me falado sobre um ótimo restaurante, então foi pra lá que fui. Logo entrei e, como já imaginava, ninguém falava inglês. Eis que surge um garçom, todo simpático, já soltando um belo “HELLOOOOO!!!”. Perguntei sobre o menu, e ele apontou para cima. Ok, got it. O menu era o letreiro acima do balcão. Köfte, Siçu Kebap, carneiro, frango... E a dúvida, comofas? Então ele sugeriu que eu pedisse um grill mixed, ou melhor, um prato com diversos tipos de grelhados! Adoro gente inteligente, risos. Pra completar, salada, yogurte e molho picante de tomate. E, obviamente, PÃO!


Mas o pão dessa vez era diferente... Ao sentar, logo me trouxeram um cestinha de pães fresquinhos. Ok, era o suficiente para comer com yogurte e pimenta (GENTE, acreditem, é MARA!). Ao chegar o prato, trouxeram outra cesta de pão, dessa vez tostado na chapa. Peguei uma fatinha. 5 minutos depois o garçom pegava a cestinha e trazia outra, com novos pães quentinhos. E assim fez algumas vezes. BOM, nem preciso me dizer o quanto me deliciei com a refeição, né?! E tudo isso por apenas 11TL! Ainda bem que esse restaurante também existe em Bursa...

Após a refeição, PICAR A MULA! Dirigi-me até o OTÖGAR, ou seja, terminal de ônibus, para pegar o mini-bus até Gemçlink. E PRA FALAR PRO TURCO DO BUSÃO AONDE EU QUERIA CHEGAR?! Foi um parto que só, meldels! Nessa tentativa, uns 20 caras já me rondavam, e minha cara, além de roxa, já tava láááá embaixo. Mas nada como a comunicação universal, tipo Imagem & Ação: MÍMICA! Ok, apontei pro ônibus, apontei pro letreiro na parede (especificamente para Gemçlink) e apontei pro caixa. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!! Foi um ruído mútuo, agora sim eles entenderam o que eu tentava dizer! Começaram a rir e todos apontaram pro mesmo ônibus, cujo motorista já estava esperando na porta, como se soubesse que era ele quem eu procurava. 1h depois, estava no terminal de Gemçlink, na espera por Hasan e sue Ford Focus (sinto-me no Brasil com esses Focus, Palios e Astras por aqui). A volta foi como a ida, cheia de conversas e ele sempre babando por seu filho recém-nascido. Deixou-me na porta de casa, e eu muitíssimo agradecida. Estava chovendo, então sentei a bunda no sofá pelo resto do dia. Mamãe, papai, fotos, facebook, aquela rotininha pós-passeio. E tem muito mais por vir!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

13 a 17/12/2010 - Bursa, TR

Vou interromper meu relato, que deveria continuar com meus dias em Istanbul, para falar da última semana que tive (AHAM, na verdade, algumas atrás). Foi surreal! Começando segunda-feira...

Viemos de Istanbul no domingo pois Ilayda nos disse que teríamos uma reunião do projeto na segunda. Ok, ótimo. Acordei meio tarde (Istanbul me cansou) e fiquei em casa coçando por algumas horas, até que Sezgi, minha “buddy”, surge no Gtalk para dizer que me aguardava no escritório. Eu precisava comprar um celular, e ela me acompanharia. Encontramo-nos por volta das 15h e fomos ao centro atrás do bendito. Como meu celular é bloqueado, precisaria comprar, além do cartão, um novo aparelho. Né? QUE NADA! Turco aqui é tipo chinês, tem jeito pra tudo. O cara da loja pegou meu celular e disse que já voltava. Enquanto isso, fomos comer. Fomos a um restaurante meio antigo próximo dali e Sezgi pediu algo pra mim: cold kebab, super tradiocinal. Nada mais é do que um sanduíche de kebab no prato! Uma delícia...

Voltamos para a loja e TCHANRAN... Meu celular passou então a falar turco! Conseguiram desbloquear ele pra qualquer SIM card, e lá fui eu toda feliz da vida por economizar algumas liras, que podem significar um belo de um almoço, ou um simples “apple tea” pros dias frios. Depois do celular, voltamos para o escritório. Várias pessoas estavam por lá, especialmente todas do meu projeto. E vamos para a reunião! Umut, vice-presidente de Incoming Exchange, apresentou-se e deu umas palavrinhas antes de começar. Ele é uma gracinha, super atencioso e preocupado! Quando saiu, demos início à conversa. Definimos as escolas nas quais cada um daria aula essa semana. Conversa feita, quando começaríamos? Como havia a possibilidade de eu mudar de casa, eu não trabalharia na terça, começando então na quarta. YEY! Teria tempo suficiente para preparar minhas aulas... Como já era tarde, decidimos ir embora de comboio e, quando saímos do escritório... NEVE! Muita neve! A cidade estava linda! Pois é, iríamos do mesmo jeito... Não seria agora que a neve empacaria minha vida.

No dia seguinte, acordei bem tarde e resolvi passar aquele dia friozinho em casa preparando as aulas e arrumando minhas coisas. Enrola daqui, enrola de lá, comecei a preparar realmente perto das 17h. Quando estava na metade, recebo uma mensagem de Seda dizendo que o serviço de transporte da escola estava com problema, o que me impediria de trabalhar naquela semana! Na hora fiquei perdidinha... PORRA, uma semana em Bursa sem trabalhar? Deveria ter ficado em Istanbul... Ok, vamos tomar café? Almoçar? Jantar? Já era bem tarde e meu estômago roncava, quando Timuçin chegou. Disse que logo sairia para comer e o convidei, mas recusou pois estava muito cansado. Disse, então, para eu pedir algo, já que o preço seria o mesmo e não precisaria sair de casa. BOA IDÉIA! Escolhi meu durüm (comida de turco, né, gente) e ele ligou. Óbvio né, imaginem eu, falando turco... 'TÉ PARECE!

Conversa vai, conversa vem, Timuçin começou a relatar brevemente a história de Bursa e, instantaneamente, sugeriu um passeio pro dia seguinte. Cumalikizik era o nome do vilarejo sobre o qual dizia. Ok, iria. Combinamos que, no dia seguinte, levaria-me até a estação de mini-bus e, de lá, seguiria o meu caminho.

Levantei-me cedinho para encontrar Timuçin. Tempo depois já estava a caminho. Desci do carro e logo entrei no mini-bus que me levaria até o vilarejo. Caminho longo, confesso. Mas foi proveitoso no sentido de me apresentar um pouco mais o subúrbio de Bursa. Adentrei uma vila muito pobre, até me assustei com tamanho contraste. Ia observando tudo: as senhoras com turbante, os velhinhos com seus pães recém-assados, a molecada indo pra escola... Era diferente. Até que, alguma metros de altitude acima, o motorista anuncia o ponto final. Ok, desci. Estava perdida num local lindo, cheio de neve... COMOFAS? Sai andando pela neve, fotografando e tentando descobrir onde estava. Não estava. Tomei o caminho de volta, até que avistei uma pequena estrada e resolvi pegá-la.


E chego no ponto em que abro de fato o meu “parênteses”. Alguns metros andando na estrada e logo começo a avistar ruelas de pedras, casa pequenas e antigas, vários amontoadinhos. Era esse o lugar! Cumalikizik é nada mais nada menos que um dos primeiros vilarejos do Império Otomano. A cidade de Bursa foi a primeira capital do mesmo império, o que comprova o fato. Casas muitos antigas, das quais pouquíssimas foram reformadas e muitas expressam, pelas suas paredes (e também por estruturas inteiras de pedras e madeiras), a ação do tempo. Cara, que lugar fantástico! Fico sem palavras para descrevê-lo... O tempo estava perfeito: neblina, uma neve que teimava em permanecer no chão, a água do degelo que escorria pelas pedras da rua... Fui andando por aquele lugar, atentando a todos os detalhes das portas, às impressões de alguns (muitos, no caso) antes, as escritas árabes nas paredes. No ponto mais alto do vilarejo, avistei duas casas que, sabe lá Deus por que, me chamaram a atenção. Fiquei observando e eis que surge uma senhorazinha, com turbante na cabeça e com roupas que aparentavam serem antigas. Ela trazia em suas mãos um pequeno balde e se aproximou de uma simples plantação de alface em frente a sua casa... Cuidou das alfaces com todo o zelo do mundo! Molhava a terra, tirava o excesso de gelo que permanecia nas folhas, adubava... Até que notou a minha presença lá e começou a falar comigo em turco. Disse que não falava aquela língua, mas ela permaneceu toda simpática. Estendi a mão para cumprImentá-la e se desculpou pois estava suja. Não liguei e a cumprimentei da mesma forma.


Segui meu caminho. Estava junto do tripé da minha câmera, então, mesmo estando sozinha, tirei várias fotos minhas naquele lugar (risos). Em uma das paradas para fotos, surge um outro senhor, que veio até mim também falando turco. Novamente disse que não falava aquela língua, então ele riu, apertou forte a minha mão e me deu uma castanha, quentinha, muito tradicional por aqui. Não comi, está guardadinha, e logo que chegar no Brasil guardarei-a com as outras “ lembrancinhas” que as pessoas me dão em viagens afora.

Depois de andar por 3h por aquele vilarejo, o estômago começou a reclamar. Timuçin disse que naquele lugar eu poderia saborear um belo dum GOZLEMEN. Pois bem, fui atrás do tal. Já tinha visto alguns restaurantezinhos por lá, só precisava lembrar o caminho. Entrei em um, mas o garçom estava tão entretido com a tevê que procurei outro. Então, entrei em outro que ficava bem a frente. Como é de costume aqui na Turquia, tirei meu sapato na entrava e subi para o andar superior. Logo uma moça subiu para me atender. Não era surpresa que ela não sabia falar inglês, o que não foi nenhum problema. Como já sabia o que queria, pedi meu prato através de mímicas e também um chá. Ela mostrou-me um lugar aconchegante para me sentar e lá esperei. Alguns minutos depois, chega minha comida.


QUE DELÍCIA! Graças à Pata, que muito tem me ajudado nessa viagem (olha aí o blog dela: http://pontosemnoh.blogspot.com/, vale a pena!), já sabia o que me esperava, mas não imaginava que seria assim, tão saboroso. E melhor ainda, baratíssimo! Neguei-me a pagar apenas 4 liras pela ótima comida, então dei algumas moedinhas a mais, que foram muito agradecidas pelas mulheres que lá trabalham. Sai do restaurante e, algumas voltinhas depois, resolvi seguir meu caminho de volta pra casa. E olha que surpresa: só no final encontrei a verdadeira entrada do vilarejo, com várias barraquinhas que deveriam fazer sucesso no verão. Avistei uma escola próxima e vi um mini-bus saindo, obviamente aproveitei a carona com o ônibus da molecada para ir até o ponto final. Foi um passeio e tanto...

Algumas peculiaridades daquele cantinho: todas as mulheres lá usavam turbantes! Fato que revela talvez a luta pela preservação da cultura que, de certa forma, perdeu um pouco de sua identidade com a chegada de outras. É notável que, lá, a tecnologia ainda não chegou (e não acho que chegará...). Ao invés dos famosos aquecedores, eram as lenhas e o fogo que aqueciam as casas; satélites, que são o que mais se vê na Turquia, não tinham espaço lá. Senti-me voltando no tempo, naqueles anos em que aquele povo viu seu Império desmoronar, mas que, mesmo assim, muito provavelmente por falta de oportunidade, tiveram de permanecer naquela situação precária, porém encantadora aos olhos daqueles que não sabem o que é viver daquela forma. De arrepiar a espinha!

Outro parêntese dentro do parêntese, enquanto voltava toda feliz e satisfeita para Bursa com o mini-bus. Peguei-o no ponto final e fui; quando se aproximava de algum ponto, ele diminuía a velocidade e aproximava-se da calçada, como todo mini-bus faz. Se ninguém subisse, voltava à velocidade normal e seguia rumo. Até que, em uma dessas paradas, ninguém subiu e, ao voltar para a pista, surge um carro apertando a buzina loucamente (acho que o motorista nasceu antes dela...) até praticamente encontar na traseira no mini-bus. O motorista, nada feliz com aquilo, simplesmente parou o veículo NO MEIO DAQUELA PISTA GIGANTESCA, ABRIU A PORTA E DESCEU, PARA ENTÃO DISCUTIR COM O OUTRO MOTORISTA. Imaginem a fila de carro atrás... Só turco mesmo. Gelei. Pensei. “AI MEU RIM”. Mas deu tudo certo...

Depois de um passeio pelo centro de Bursa, que incluia uma visita a umas das maiores mesquistas da Turquia (na qual era OBRIGATÓRIO o uso de turbante) e uma voltinha pela feirinha da cidade...




...voltei para casa e Timuçin me esperava. “Gostou do passeio?! Então amanhã você deve ir para Iznik...”. E fui... O passeio? Fica pra próxima!